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Pobreza. Informática. Cultura milenar. Religiosidade. Riqueza. Respeito pelos animais. Palácios maravilhosos. Muita gente. Empresas globalizadas. Congestionamentos. Educação. Sem pressa. Democrática. Reencarnação. Orgulho de ser indiano. Bollywood. Livros e muitos leitores. Blackouts. Crianças na escola. Crescimento. Castas. Buzinas. Pimenta. Jóias. Vacas. Carros de boi. Armas nucleares.
A Índia é grandiosa, tem tudo isto e muito mais. É a maior democracia do mundo, e é uma síntese de todas as dificuldades e potencialidades do mundo emergente. Até 2050 mais de 90% do crescimento populacional global virá dos países emergentes,e as soluções que encontrarem servirão de exemplo para o mundo, assim como seus fracassos serão os do mundo democrático.
Em janeiro deste ano, um grupo de professores e ex-alunos da FIA fizeram uma viagem de exploração cultural, educacional e empresarial. Visitamos empresas, projetos comunitários, universidades, museus, palácios e mercados populares.
A infraestrutura física de transporte e energia é extremamente precária, assim como a de saneamento e saúde. A burocracia estatal é sufocante e a corrupção abrangente. A diversidade cultural, religiosa e geográfica fragmenta o mercado em diversos sub- segmentos distintos, e, por fim, os sistemas de distribuição são ineficientes e caros.
A seu favor, a Índia tem o grande tamanho absoluto de seu mercado, um potencial de 1,2 bilhão de consumidores da base da pirâmide, e a realidade de cerca de 60 milhões de consumidores de classe média e alta, que adotam padrões de consumo semelhantes, porém distintos dos ocidentais.
Um Mc Donalds, por exemplo, tem que adaptar sua oferta a um público para o qual a vaca é sagrada: tem que oferecer temperos especiais e produtos para vegetarianos, e em algumas lojas, refeições a 50 centavos de dólar. A Suzuki tem que adotar uma marca indiana, Maruti, para prosperar. Precisa criar uma rede de escolas de direção para educar seus consumidores e enfrentar a concorrência de um Nano, da Tata, que é vendido por US$ 2500.
Seu grande triunfo é sua gente: um povo que trabalha duro, que acredita que melhorará praticando o bem nesta vida e em vidas futuras, e que acredita na educação como meio de prosperar. Falando inglês fluente, a maioria dos indianos mais educados consegue interagir com facilidade no mundo globalizado, e tem criado um espaço próprio importante no cenário global de serviços de TI.
Comparações com a China são inevitáveis. Os chineses têm um claro propósito de construírem a potência econômica número um do mundo; lá, todos, desde os líderes até os operários, enxergam e trabalham com este objetivo em mente. Já a Índia democrática e pluralista não sabe expressar uma clara visão de seu papel no mundo.
Cresce sem um plano integrado, democrática, multifacetada, caótica, barulhenta e confusa. Mas caminha inexoravelmente a um futuro dramatico; poderá ser um grande mercado para infraestrutura e consumo, poderá fornecer cérebros, empresas e empreendedores para um mundo globalizado, ou poderá perder seu rumo em disputar setoriais e internas.
Para nós brasileiros, um mundo inexplorado e enorme em oportunidades de parcerias e de negócios, mas um desafio para entender e lidar com este gigante multifacetado da Ásia, um gigante que não pode ser ignorado.
James Wright
Excelente comentário professor! Muito esclarecedor. A Índia realmente é uma potência de sabores e particularidades infinitas. Estive durante o ultimo mês, em Kerala, e as suas observações são muito precisas. A Índia, na sua diversidade e no seu dinamismo, precisa resolver dilemas básicos para se tornar a potência que deseja, e na aparente desordem se desvenda aos poucos uma energia que está mudando o mundo.
Algumas observações sobre Kerala em: http://ige4510kerala.blogspot.com/2010/01/kerala.html
Abraços,
Luis Eduardo Diaz