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Um MBA que faz a diferença

Executivo conta como o MBA da FIA o auxiliou no seu desenvolvimento profissional e o preparou para enfrentar seus novos desafios.

”Tenho a impressão que, se tivesse feito o MBA em outra instituição que não a FIA, não teria tido a clareza sobre meus valores que hoje tenho, e não estaria neste momento vivendo essa agradável sensação de que os desafios que estão à frente, se vencidos, me levarão a outros igualmente estimulantes”. Esta é uma das definições trazidas pelo executivo Nelson Yoshida sobre o MBA Executivo Internacional da FIA.

Com carreira sólida no setor de telecomunicações em empresas como Brasil Telecom, Telefônica e Embratel, em áreas de atuação como marketing, vendas, planejamento, redes e sistemas e operações, Yoshida fala nesta entrevista exclusiva à FIA sobre como o curso tem ajudado em sua trajetória profissional, além de destacar quais são os maiores desafios na atualidade para um executivo deste porte.

Atualmente, ele é pós-graduando em administração pela FEA/USP, pesquisador na área de estratégia, professor, consultor em gestão e também está engajado em desenvolver pesquisas aplicadas na área de eficiência energética visando futuro empreendimento.

Em linhas gerais, descreva os principais momentos de sua trajetória profissional.

Minha graduação foi em Engenharia Elétrica, e iniciei carreira no setor de telecomunicações no início da década de 90. À época, o setor era predominantemente estatal, e tive inúmeras oportunidades de entendê-lo. Com a privatização, enxerguei um universo de possibilidades profissionais que me motivaram à busca de experiências que, a meu ver, seriam muito ricas e raras de se vivenciar. Atuei na área de marketing para integrar empresas recém-privatizadas das regiões Norte, Centro e Sul do País. Posteriormente, participei do processo de transformação organizacional de uma empresa, a qual se encontrava em processo de mudanças visando ao alinhamento com as diretrizes da multinacional que a adquiriu. Nos primeiros anos da década de 2000, o setor entrou numa fase muito dinâmica que incluía desde a consolidação da estratégia das companhias, então já integradas em estruturas mais homogêneas, passando por fusões e aquisições e lançamentos de novas operações. Sempre mantive o objetivo de vivenciar oportunidades de ampliar a visão sistêmica da indústria, aliada com o ambiente externo, o que criava oportunidades em cada um dos grandes marcos do setor. Pouco antes da privatização, eu tinha planos para um MBA fora do País, mas as oportunidades de experiências que o setor trazia no período pós-privatização pareciam mais enriquecedoras profissionalmente, o que me fez adiar isso. Quando o setor se estabilizou, decidi por um período sabático para me dedicar a projetos pessoais e retomar o projeto do MBA, então com um viés mais executivo, pois já tinha dez anos de experiência em cargos de liderança. Atualmente estou na área acadêmica, buscando uma atuação conjugando atividades de pesquisa, docência e consultoria.

Como foi o processo de transição de carreira que você acaba de vivenciar?

Foi uma combinação equilibrada de planejamento e acaso. O planejamento era resultado do projeto adiado de MBA, portanto era objetivo claro tirar um período sabático. O acaso foi fruto de como as coisas foram acontecendo durante o MBA. De um lado eu mesmo me entendi melhor quando pude focar no planejamento de carreira, especialmente nos aspectos dos meus valores. Quando se tem a oportunidade de pensar com maior foco, sem as responsabilidades naturais que o trabalho demanda, tendemos a enxergar coisas que estavam ocultas, invisíveis, apesar de terem relevância para nós. É muito curioso isso. Em resumo, pude identificar claramente que o que me dá satisfação profissional é aprofundar o conhecimento e compartilhá-lo de forma a possibilitar que ele possa aumentar o seu potencial de transformação. Isso aponta para a academia, e esta é a razão de ter considerado essa transição. O curioso é que mesmo quando estava na carreira em empresas, sempre segui oportunidades que permitiam aprofundar a visão sistêmica, o conhecimento, e que possibilitavam dar maior alcance e valor às estratégias das empresas por meio da disseminação e uso de conhecimento, seja codificado ou não. A única diferença era que eu não percebia isso de forma consciente.

Quais são os desafios que sua nova função exigirá?

Podem ser muitos, mas os mais relevantes são: 1 – Encontrar um equilíbrio entre essas atividades de pesquisa, docência e consultoria, especialmente aquele que crie um ciclo virtuoso onde essas atividades se combinem de forma que cada uma delas potencialize a outra; 2 – Adaptação ao modelo de propriedade de agenda (agora flexível), onde compromissos e responsabilidades podem ser conduzidos em momentos não necessariamente ortodoxos. 3 – Contribuir com pesquisas que sejam relevantes para o mundo da administração de empresas, especialmente com o viés de significância e utilidade para o incremento da competitividade no Brasil e no exterior; 4 – Transferir conhecimento de forma eficaz, por meio de docência e de consultoria.

Falando um pouco sobre a gestão de pessoas. Um dos problemas enfrentados com mais frequência em ambientes de trabalho é a individualidade exacerbada e o deixar de lado o trabalho em equipe. Como lidar com isso?

De fato a ocorrência desse fenômeno tem sido uma das questões recorrentes no ambiente de empresas, e merece a preocupação manifestada. Particularmente, tenho tendência a considerar que uma das principais responsabilidades do líder é possibilitar que as pessoas enxerguem os benefícios que a soma dos esforços pode fazer para a carreira de cada uma delas individualmente. Neste ponto, é importante comentar que essa contraposição de individualismo e trabalho em equipe não é necessariamente absoluta. No momento em que o líder for hábil em demonstrar que os resultados da equipe podem ser aferidos por todos e que parte significativa do retorno se refletirá na carreira individual, no médio e longo prazos, está realizando importante papel, uma vez que este é o momento em que o contraponto deixa de existir. Portanto, o líder deve cuidar para que o gerenciamento de carreira das pessoas aponte para futuro sustentável e robusto, inclusive observando-se as oportunidades que se manifestam.

Sim, há questões que conspiram e prejudicam, mas esse desafio é responsabilidade do líder, e em tese, deve ser assumido como um fator de inspiração e orientação. O líder deve gostar desse desafio.

De que maneira cursar o MBA contribuiu para o seu fortalecimento profissional?

No meu caso foi decisivo, sem que inicialmente eu tivesse planejado o movimento que faria logo depois. Por quê digo isso? No MBA temos a oportunidade de fazer o planejamento de carreira e também a identificação dos nossos valores. Isso foi importante para que eu pudesse perceber o que estava latente, mas não visível. Ali percebi os meus valores melhor do que nunca. Outro fator fundamental foi a convivência com os demais colegas de curso, todos executivos e executivas de muita experiência em uma multiplicidade de setores da economia. É interessante a troca de experiências que ocorre durante o curso, pois você recebe diversas perspectivas que não considerava antes. Como todos têm uma trajetória de responsabilidades de liderança, as leituras pessoais sobre posicionamento de carreira e valores enriquecem muito a interação. E o fato de todos apresentarem muitos anos em funções de liderança os coloca como excelentes conselheiros. Igualmente relevante é o contato com professores da FIA. Todos com larga experiência em empresas e com linhas de especialização e pesquisas em áreas de grande interesse para companhias e instituições. Não raras, situações onde a experiência combinada de atuação em empresas e na academia indicou para mim o quanto a transição era coerente com meus valores. Tenho a impressão que, se tivesse feito o MBA em outra instituição que não a FIA, talvez neste momento eu estivesse novamente em alguma posição dentro de uma empresa. Provavelmente estaria feliz e desempenhando meu melhor. Contudo, não teria tido a clareza sobre meus valores que hoje tenho, e não estaria neste momento vivendo essa agradável sensação de que os desafios que estão à frente, se vencidos, me levarão a outros igualmente estimulantes. A carreira é uma jornada que nunca termina. A minha é conhecer mais, disseminar e compartilhar. Depois identificar novas oportunidades de conhecimento, disseminar e compartilhar.

Quais dicas você pode dar aos profissionais que estão cursando um MBA de forma a melhor aproveitar os conceitos, informações e network trazidas por ele?

Conceitos permitem criar modelos para análises de problemas. Informações são itens fundamentais para integrarem o modelo e facilitar as análises. As análises ficam mais relevantes por meio de debates e interação com pessoas que aportam valor na discussão. Portanto, aqui entra o networking. O MBA permite isso. Acima de tudo, desenvolver os relacionamentos obtidos pelo networking do MBA é muito positivo, em ambos os sentidos: profissional e pessoal. Muitos dos colegas vão se tornar seus amigos, os quais você vai considerar como futuros conselheiros seus, ou mesmo você vai dar conselhos quando solicitado. E isso se tornará uma coisa natural, sem que você perceba. Você e seus colegas vão compartilhar experiências durante o curso, e depois de concluírem, continuarão a compartilhar experiências. O MBA vai lhe dar conceitos, ferramentas, métodos e informações que lhe ajudarão a estruturar análises bem fundamentadas. A experiência compartilhada vai lhe ajudar a melhorar sua capacidade de lidar com dificuldades. Em resumo, você vai se encontrar em situação onde verá que sua capacidade de aprender a aprender foi muito otimizada, e dessa forma poderá potencializar sua carreira na direção que achar mais interessante.

Outro aspecto muito relevante é aproveitar o que se desenvolve em termos de pesquisas acadêmicas, as quais são conduzidas tipicamente com a participação de profissionais que se encontram em posições nas empresas ou instituições. Como na administração, o campo de aplicação das teorias se dá nas próprias empresas: as possibilidades de contribuir nas pesquisas é enorme, e certamente a relevância dos temas de interesse pode ser muito aumentada por meio desse relacionamento contributivo. Esta é uma clara oportunidade que tem benefícios mútuos, os quais podem ser aproveitados durante o curso ou principalmente após sua conclusão.

Como conciliar a dura rotina de trabalho de um executivo com a vida acadêmica e a vida pessoal?

Este é o desafio que se mostra mais complicado. As pessoas não funcionam como máquinas, portanto não somos capazes de ”apertar o botão” e desligar nossas funções profissionais e ativar as pessoais. Uma atividade influencia a outra e, de fato, precisamos assumir que isso ocorre. Creio que o segredo é saber distinguir racionalmente a importância das coisas, relativamente entre si, e combinar esta informação com o senso de urgência. Se você consegue levar sua liderança à situação que comentei antes, saberá definir o quanto sua participação é essencial em cada um dos assuntos e, ainda mais, saberá quais os profissionais da equipe que poderão somar contribuições para dar tratamento aos assuntos, seja na forma de responsabilidade compartilhada ou na condição de responsabilidade individual. Outro ponto importante: invista seu tempo em planejamento; esta é sua atividade mais relevante. Anteveja o que poderá ser um assunto importante e trace alternativas de tratamento do mesmo. Em outras palavras, procure sempre estar agindo hoje sobre temas que você já analisou no passado. Se não faz isso, então há um problema, e deve ser corrigido. Um problema tem origens (causas), e identificá-las é o primeiro passo. Depois, procure analisar quais variáveis têm influência sobre ele e, em seguida, defina qual o nível controle que você pode ter sobre elas. Lembrando que essa recomendação abrange temas pessoais ou profissionais.

Quais os principais valores a serem seguidos para conquistar o sucesso em uma posição como a sua?

Não abrir mão de algumas coisas básicas: Integridade – seu nome é valorizado se, e somente se, você construir a carreira baseada na integridade; Legitimidade – Ela é conseqüência de sua integridade. Conquiste legitimidade, você deve sentir que a posição que ocupa é merecida, mas não porque você se sente como merecedor, mas porque se você hipoteticamente pudesse ser o seu próprio chefe, não conseguiria pensar em outra pessoa para estar ali; Sustentabilidade – Não sucumba ao curto prazo. Atalhos de carreira trazem benefícios imediatos, mas podem não se sustentar no futuro. Procure ampliar sua visão sistêmica de operações de negócios, alie isso com análise estratégica e procure traduzir isso em valor para a empresa/instituição; e Ética – Sob uma ótica da responsabilidade, não sob a ótica do resultado. Você só cresce profissionalmente de forma sustentada se for eticamente responsável. O resultado importante deve ser atingido por este caminho, pois é por aqui que você aprende a aprender.

Quais dicas você pode dar aos profissionais que estão selecionando uma escola de negócios para cursar um MBA?

Faça um planejamento para esta atividade. Não pense que apenas as variáveis principais contam (preço, localização). Há uma série de outras variáveis intangíveis que precisam ser consideradas. Tipicamente, essas variáveis intangíveis não podem ser obtidas apenas pela comunicação das instituições. Visite-as, fale com os coordenadores, analise o que os meios especializados dizem sobre os cursos. Consulte entidades avaliadoras de renomada reputação. Analise o corpo docente, o programa, a proposta do curso (como é esperado que você saia ao final do MBA?). Analise o perfil dos alunos que poderá encontrar como colegas. Veja o compromisso com o desenvolvimento de pesquisas por parte dos professores. Enfim, você não está selecionando apenas uma escola que lhe ensinará ferramentas, mas todo um sistema que lhe possibilitará prepará-lo melhor para esta jornada de carreira.

Qual é a sua avaliação sobre o MBA Executivo Internacional da FIA?

Estudei muito na fase de seleção de qual MBA cursar. Escolhi a FIA porque minhas expectativas eram muito altas, e neste curso encontrei as condições que poderiam satisfazer meu grau de exigência. Tinha objetivo de não apenas receber conceitos e informações, mas integrá-las com uma visão de amplitude sistêmica de operações de negócios. Na FIA tive isso, e outras coisas mais. Pude avaliar meus valores pessoais, enxerguei novas oportunidades, recebi contribuições de professores e colegas, percebi o interesse comum de professores e alunos nos temas que são relevantes para empresas e instituições. Tive importante contribuição para meu relacionamento profissional e pessoal, mantenho desde então. Participo de atividades de pós-MBA, grupos de discussão, da associação de ex-MBA. Sempre estou inserido nos eventos promovidos pela escola, tenho oportunidades de participar de interessantes palestras. Enfim, posso dizer que o MBA da FIA não é um projeto com começo, meio e fim. Na verdade é um processo no qual você se insere no ingresso do curso, mas depois de concluí-lo você continua podendo evoluir sempre. A FIA me proporcionou isso.

Entrevista com o ex-aluno Nilo Martire do MBA Executivo Internacional – T1 – na revista QD  em maio de 2011.

Clique: Nilo

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CEO da Targit Brasil aponta os benefícios do MBA da FIA

Allan Pires comenta os principais momentos de sua trajetória profissional e no que o MBA tem contribuído para seu crescimento.

O executivo brasileiro Allan Pires é um exemplo de profissional bem-sucedido. Em novembro do ano passado subiu ao cargo de CEO da Targit Brasil, empresa de origem dinamarquesa especializada em Business Intelligence. Há mais de 25 anos no mercado de inteligência empresarial, Pires acumulou experiência como executivo de empresas como PA Latinoamericana, Sonda Procwork, MRO Software e IFS Brazil.

O executivo assume este posto com o principal objetivo de expandir a rede de parceiros da companhia no território brasileiro, além de atender a empresas que fazem parte da rota internacional de projetos da organização.

Nesta entrevista exclusiva para a FIA, ele fala sobre sua trajetória profissional, sobre como lidar com os desafios diários de uma posição como esta, e também os entraves de conciliar a vida profissional com a pessoal.

Descreva, por favor, em linhas gerais, os principais momentos de sua trajetória profissional.

Foram vários momentos importantes, mas poderia destacar principalmente três em especial. O primeiro, quando ainda desempenhava funções técnicas, foi o de receber o desafio de ser o gestor de todos os projetos e recursos humanos envolvidos na empresa em que atuava. O segundo foi mais um desafio cultural, quando assumi a liderança das áreas comercial e marketing para o território América Latina. E o terceiro quando assumi pela primeira vez a posição de CEO.

Como foi trabalhar em multinacionais de culturas diferentes como a europeia e americana e o que isto acrescentou nas suas competências?

Entendo que toda empresa tem a sua cultura, e o executivo que valorizar isso terá mais chance de sucesso. Quando ampliamos este conceito para companhias de origens tão diferentes, isto fica mais claro. Assim, este trabalho demanda do executivo, dedicação e cuidado na percepção da cultura e valores do ambiente em que está envolvido. A oportunidade de trabalhar em empresas com culturas diversas proporcionou me exercitar modelos diferentes de tomada de decisão, pensamento estratégico, aprimorar as habilidades de comunicação e empatia.

Você acabou de assumir o cargo de CEO. Quais os principais valores a serem seguidos para conquistar o sucesso nesta posição?

Considero que as maiores chances de se ter oportunidades e conquistas sempre serão em empresas em que os valores se compatibilizam com os seus. Assim, o que está na minha lista de valores e que foi muito agraciado pelas empresas em que trabalhei foi: 1) buscar constantemente a excelência; 2) desenvolver a confiança e o respeito mútuo; e 3) ser responsável ao criar expectativas.

Com base em suas experiências, qual a dica para conviver e superar os momentos delicados que o ambiente corporativo impõe?

Como estes momentos delicados fazem parte da vida de relações e demandam tomadas de decisão, sempre me senti mais confortável em agir quando podia compartilhar de meus valores e dos valores e missão da empresa. 

De que maneira cursar o MBA Executivo Internacional contribuiu para o seu fortalecimento profissional numa área tão específica como gestão de Empresas de TI?

A experiência de participar de uma das turmas do MBA Executivo Internacional contribui em muito em minha carreira profissional. Será justo destacar que os docentes do curso sabem alinhar uma profunda base acadêmica com a prática aplicada nas empresas, o que propiciou aplicar o conhecimento adquirido rapidamente.  Como a principal missão de empresas provedoras de soluções de TI é promover melhores resultados de negócios para seus clientes, o programa do curso permitiu um melhor entendimento dos seus desafios e assim pude desenvolver ofertas que ampliaram os benefícios a eles. Não posso deixar de mencionar que a turma de alunos, composta por profissionais com grande experiência em seu setor, com quem pude trocar experiências durante e após o curso, colaborou, e ainda colabora, no meu crescimento pessoal e profissional.

Como conciliar a dura rotina de trabalho de um executivo com a vida acadêmica e a vida pessoal?

Não é uma tarefa fácil, mas contribui muito se o executivo negociar a dedicação de tempo e metas durante o curso com superiores, pares, subordinados e família. Mas é um investimento muito interessante.

Quais dicas você pode dar aos profissionais que estão selecionando um uma escola de negócios para cursar um MBA?

Sugiro primeiro certificar se o curso contribuirá com seu objetivo profissional, e buscaria referências com outros ex-alunos, principalmente para saber no quê este estudo realmente contribui com sua carreira.

Quais dicas você pode dar aos profissionais que estão cursando um MBA de forma a melhor aproveitar os conceitos, informações e network trazidas por ele?

Se o aluno almeja estar preparado para galgar novas posições na empresa em que atua ou em uma nova oportunidade que apareça, ouvir e compartilhar visões, ideias e experiências com os demais alunos ampliará sua capacidade de atuação.

O que as viagens internacionais promovidas pelo MBA trouxeram de positivo no seu dia a dia como executivo?

Aprofundar o conhecimento de como se faz negócios e a cultura de outras regiões do mundo foram as principais contribuições. Mas ainda podemos citar o acesso a pesquisas acadêmicas, estudo de casos e contato com excelentes professores.

Você recomendaria a FIA? Por quê?

Recomendaria a FIA e o curso MBA Executivo pelo cuidado que eles têm em preparar um programa atualizado com as necessidades dos executivos, com a seleção dos professores e também dos alunos.

Por Luis Gonzaga Silva de Oliveira , Tempestade Comunicação

Pesquisa Carreira de Futuro, do Profuturo/FIA, mostra como será a evolução no mercado de trabalho.

Da Redação – Diário de Canoas

Novo Hamburgo - Uma pesquisa realizada pelo Profuturo (Programa de Estudos do Futuro), da FIA (Fundação Instituto de Administração), tentou identificar as carreiras mais promissoras e onde estarão as oportunidades de negócios para empreendedores considerando o horizonte até 2020. 

A pesquisa, chamada de Carreiras do Futuro mostra uma ideia do que será o mercado de trabalho do futuro. Segundo a professora Renata Spers, do Profuturo, com as seis carreiras apontadas na pesquisa é possível analisar que a crescente inovação, a busca pela qualidade de vida e a preocupação com o meio ambiente estarão entre os fatores mais relevantes no aprimoramento das carreiras mais promissoras. Os negócios em expansão estarão no setor de serviços, em áreas como saúde e qualidade de vida, turismo e lazer, alimentação, serviços para a terceira idade e consultorias especializadas – tais como sustentabilidade, desenvolvimento de carreira, consultoria pessoal e planejamento financeiro. 

Conheça e se aprimore

A professora Renata Spers ressalta que a inovação será um fator cada vez mais crítico para a competitividade das empresas, colocando ênfase no desenvolvimento tecnológico, na educação e na busca por outros conhecimentos. 

Gerente de Eco-Relações

Apontada por 72% dos entrevistados
Profissional que irá se comunicar e trabalhar com consumidores, grupos ambientais e agências governamentais para desenvolver e maximizar programas ecológicos. 

Chief Innovation Officer

Apontada por 67% dos entrevistados
Interagirá com os funcionários em diferentes áreas da organização para pesquisar, projetar e aplicar inovações.

Gerente de Marketing e-Commerce
Apontada por 46% dos entrevistados
Gerencia o desenvolvimento e implementação de estratégias de web sites para vender produtos e serviços.

Conselheiros de Aposentadoria
Apontada por 39% dos entrevistados
Profissionais responsáveis por ajudar a planejar a aposentadoria.

Coordenador de Desenvolvimento da Força 
de Trabalho e Educação Continuada
Apontada por 35% dos entrevistados
Coordenador responsável por gerenciar programas para ajudar funcionários qualificados a atingir níveis avançados em suas áreas de especialização. 

Bioinformationists
Apontada por 34% dos entrevistados 
Cientistas que trabalharão com informação genética, servindo como uma ponte para cientistas que trabalham com o desenvolvimento de medicamentos e técnicas clínicas

O Sonho Brasil: Ideias de sucesso vindas do exterior

Os imigrantes que escolheram o Brasil para viver e transformar boas ideias em negócios de sucesso. A vontade de vencer deles está presente no seu empreendorismo em terras brasileiras, como mostra a reportagem de Sérgio Gabriel.

Assista a matéria completa com a participação de Michael Raymo, ex-aluno do International MBA da FIA.

Clique AQUI

”Vinte anos após ser lançado com o objetivo de promover o reflorestamento para a captura de carbono da atmosfera, o Projeto Floram – que nunca chegou a ser encampado pelo Governo Federal – ressurge das cinzas como modelo estratégico para direcionar o desenvolvimento florestal do país na próxima década.”

Leia a matéria completa com os comentários do Prof. James T C Wright, participante deste projeto: Projeto Floram

Moeda forte, aliada à busca dos executivos por qualificação para aproveitar bom momento do país, faz escolas estrangeiras investirem no mercado global.

Professor James T C Wright, coordenador dos cursos MBA Executivo Internacional e International MBA da FIA, comenta sobre cursos com módulos internacionais.

Leia o texto completo: ValorEconomico_jan2011_1

 

Fonte: Valor Econômico

 

Prof. Paulo Feldmann destaca que empresariado brasileiro só consegue ver seu concorrente como inimigo e os dois perdem terreno no mercado internacional

Atualmente, o Brasil tem sido um país exportador de commodities. Mas não consegue ter o mesmo desempenho em outros tipos de mercados. De acordo com o Prof. Paulo Feldmann, da Faculdade de Economia e Administração da Universidade de São Paulo (USP), para que o País vire o jogo, é preciso que os micro e pequenos empresários tracem metas em conjunto. “Para competir fortemente no mercado internacional, precisamos de um modelo como o da Itália, que prevê a união entre os pequenos empresários”, diz ele.

Segundo o professor, com passagens como executivo por empresas como a Microsoft, Ernest & Young e Sabesp, o fato de o brasileiro não se unir com seus concorrentes é cultural. ”O empresário brasileiro enxerga seu concorrente como um inimigo a ser aniquilado”, discursa. Para Feldmann, autor do livro Empresas Latino Americanas: oportunidades e ameaças no mundo global (Atlas) é preciso também medidas do governo para valorizar o intercâmbio entre empresas e universidades, assim como a formação de novos empreendedores.

Como o senhor classificaria a competitividade do Brasil atualmente no mercado internacional?

A grande questão é que o Brasil às vezes é competitivo em um determinado momento porque existe uma conjuntura internacional que o favorece. Ou seja, nós tivemos um cenário internacional nos últimos anos que favoreceu muito a compra de commodities, e o País, que é um grande produtor desses bens, foi beneficiado. A China, especialmente, para o seu crescimento, precisou muito de commodities. Comprou minério de ferro, soja, produtos agrícolas, e viu o Brasil como um grande supridor seu desses produtos. Tanto é que de tudo que nós exportamos para a China nestes dez primeiros meses do ano, 97% foram commodities. Ou seja, 3% apenas de produtos industrializados. Isso não é bom para a economia brasileira. Então você pergunta: o Brasil é competitivo? É, mas não adianta apresentarmos uma competitividade desse tipo porque quando o preço das commodities cair, o que não vai demorar, teremos problemas. O preço das commodities é estabelecido em bolsas internacionais, oscila muito e, principalmente, sempre aparece um novo país produzindo aquela matéria prima e mexendo com o mercado. Veja o café, por exemplo. O Brasil é um grande produtor, mas atualmente ele não tem todo este mercado, porque há sempre uma nova nação asiática ou africana na concorrência.

O que significa então um país ser competitivo, mas de forma sustentável?

Significa o país produzir bens industrializados e, de preferência, com alto conteúdo tecnológico. Aí ele não é imitado facilmente. Este é o caso de Estados Unidos, Alemanha e Japão. Se formos ver a pauta de exportação dessas nações, veremos que eles exportam produtos industrializados e com alto conteúdo tecnológico. Inclusive a China. Se verificarmos o que os chineses vendem para o Brasil, concluiremos que 85% são produtos industrializados. Ela compra commodities e vende produtos industrializados. O que eu acho interessante nessa história toda é que ninguém critica essa questão, porque isso também é uma forma de colonialismo. Anos atrás, quando tínhamos esse tipo de relação com os Estados Unidos, falavam que eles eram os colonizadores e nós, a colônia. Não sei por que agora não falam isso da China. E esta situação não é boa para o Brasil, pois na hora que a China tiver uma crise, seremos afetados.

Claro que existem pessoas que criticam o que estou dizendo. Afirmam que não é assim, que não estamos exportando produtos industrializados porque o real está muito valorizado e com isso nós perdemos a competitividade da indústria. Mas não acredito que seja verdade. Realmente o real está valorizado, entretanto, mesmo com uma desvalorização da moeda, que talvez aconteça, nossa indústria deixou de ser competitiva há muito tempo e não vamos conseguir recuperar essa competitividade com muita facilidade. E, existe um problema sério hoje na economia mundial, que é o fato de que tanto as moedas dos Estados Unidos quanto a da China estarem bastante desvalorizadas. É interessante isso porque a China adota o mesmo modelo de imperialismo e colonização que os Estados Unidos adotaram. Acho que essa situação toda é bastante delicada e complicada para o Brasil e que o próximo governo terá de tomar uma atitude firme.

Quais devem ser os pontos fundamentais na agenda do novo governo para que o País consiga avançar no mix do comércio internacional?

O Brasil é um país com muita sorte por ser dotado de inúmeros recursos naturais. Temos um potencial enorme nesta área, mas, ela é muito delicada e perigosa. Assim, também temos de ser bons em outros setores que não sejam apenas as de commodities de baixa tecnologia. Em primeiro lugar, acho que hoje temos de adotar um modelo de desenvolvimento bastante diferente. Como disse, os países que se destacam são aqueles altamente produtores de tecnologia. Porém, quem produz esses bens? São as grandes empresas, e estudos mostram que a produção de tecnologia no mundo está fortemente centrada e baseada nelas. Se formos verificar, em países como os EUA, a produção de tecnologia é feita por algumas poucas grandes corporações. Bom, aí vamos ver quais são as nossas grandes empresas e descobrimos que nós não as temos. O melhor ranking das grandes empresas do mundo é o da revista Forbes que, na edição deste ano, mostrou a lista de 2009. Nela, entre as duas mil maiores do mundo, só havia 33 brasileiras, o que dá 1,6%. É muito pouco. As 33 nacionais, exceto a Embraer, que é a única de um setor de alta tecnologia, ou são do setor de serviços, ou bancos, ou produtoras de commodities. E há um agravante: este número vem caindo ano após ano.

Como voltar a crescer neste ranking?

Qual o outro modelo que existe? É um tipo bem diferente, que tem sido adotado por alguns países. A Itália é um exemplo disso. Ela também não tem grandes nomes na relação das duas mil maiores. Porém, a economia italiana é fortemente baseada na micro e pequena empresa, e o país é a quinta potência mundial. Outra nação onde a micro e pequena empresa é forte geradora de tecnologia é Israel, que é um dos países que mais geram tecnologia no mundo, fortemente baseado nessas companhias.

Creio que nós temos um potencial enorme no Brasil. De seis milhões de empresas oficiais, segundo o SEBRAE, 99% delas são micro e pequenas. Essas companhias são responsáveis por 53% dos empregos no Brasil, o que é um número importante. O que me chama a atenção, porém, é a participação no PIB, que é muito pequena. As micro e pequenas empresas respondem por cerca de 20% do PIB brasileiro. Na Itália, este número passa de 50%, e na Espanha, é 55%.

O caminho então é aumentar esse índice?

Sim. É isso que tem que mudar. A chave do crescimento brasileiro, na minha opinião, deveria ser o apoio e o fomento à micro e pequena empresa. Acho que já perdemos a corrida da grande empresa, nessa área não dá mais. Então, vamos centrar para um modelo baseado na micro e pequena empresa.

A presidente eleita Dilma Rousseff tem dito que só vai criar um único ministério novo, que será o da Micro e Pequena Empresa. Ótimo. Significa que ela vai dar prioridade para este assunto. Acho excelente e auspicioso, porque necessitamos de um modelo de desenvolvimento nesta linha, deveríamos conhecer o modelo italiano.

E como fazer para que consigamos atingir esta meta?

Ainda falta muita coisa. Por que a Itália consegue se destacar? Ela tem uma coisa muito simples que, por incrível que pareça, não conseguimos imitar aqui no Brasil. Já foi tentado e não deu certo. Trata-se da união entre empresas. A coisa mais comum na Itália são as micro empresas se unirem, criarem cooperativas destinadas a exportar. Elas geram associações para exportação, pesquisas, e outras coisas. Cada uma das micro empresas coloca um pouco de dinheiro para a associação fazer a pesquisa para ela. É o caso dos setores de moda, vestuário, calçado, azulejo. São áreas nas quais a Itália é campeã mundial, exatamente por causa deste modelo. Para a criação de marca, por exemplo, isso também funciona. A Benetton é formada por uma série de micro empresas, que se juntaram todas sob o mesmo guarda-chuva.

E por que no Brasil não se faz isso?

Por uma questão cultural. A América Latina é um continente difícil. Veja só quantos anos o mundo demorou para perceber o Brasil. Há 20 anos, um grupo de pesquisadores norte-americanos veio para cá a fim de estudar o modelo de gestão da AL, e lançaram um livro chamado Arando o mar. Uma das conclusões apresentadas na obra mostra que o empresário latino-americano não se une nunca com o seu concorrente, em hipótese alguma. Ele enxerga nele um inimigo que tem de ser aniquilado. Não admite se unir com ele para nada, a não ser fazer lobby junto ao governo. Trata-se de uma questão cultural dificílima de ser resolvida, mas tem que ser superada de alguma forma. Talvez com incentivos governamentais para a união de empresas ou criação de consórcios de companhias com apoio fiscal. Coisas desse tipo têm de ser feitas. As empresas brasileiras precisam se unir senão não vão conseguir entrar no mercado internacional, nem pesquisar e criar tecnologia. Temos muito espaço para crescer.

E quanto à capacitação do micro empresário?

O problema é que o modelo do Sebrae está defasado. O Brasil se baseou muito nele e não está atendendo ao que precisamos. Este tipo de abordagem, baseada na iniciativa do empresário bater na porta do Sebrae para fazer curso da sua área não funciona. Primeiro, porque o micro empresário nem sabe que existe o Sebrae. Segundo, não sabe onde ele fica.  Terceiro, não sabe como chegar lá. E quarto, não tem dinheiro para pagar o curso. Precisamos de uma mudança radical na nossa educação. O ensino médio brasileiro deveria ter cadeiras obrigatórias de gestão de empresas. Este tema é tão importante que deveria ser quase como o ensino de matemática e física. Deveriam haver muitas disciplinas para formar o futuro empreendedor. Mesmo com o fato de muitos brasileiros não cursarem o ensino médio, acho que melhoraria bem o atual panorama. Todos os setores precisam de gestão. Mas acho que o Sebrae deveria ser fortemente baseado em cursos gratuitos para apoiar a microempresa.

De que forma o senhor acha que a atual guerra cambial pode influenciar no desenvolvimento País nos próximos anos?

Os principais problemas atualmente caem na mesma vala: ninguém acata os entraves que acontecem no mundo. Está cada um preocupado apenas com os seus problemas. Por isso a reunião do G20 não chegou a lugar nenhum. Acho que a solução seria a criação de organismos internacionais aos quais os países estivessem dispostos a acatar. Teríamos que ter um Banco Central Mundial. Mas a criação de organismos mundiais é dificílima.

De que forma o Brasil pode aproveitar a Amazônia para desenvolver sua economia e gerar inovações e novas tecnologias?

Nós temos uma oportunidade enorme à nossa frente, que é a Amazônia. Grandes economistas, atualmente, apontam para o fato de que as mudanças tecnológicas são aquelas que norteiam e irão nortear a economia e a sociedade.  Eles mostram que tecnologias como informática, automóveis, eletricidade e outras foram as propulsoras de mudanças radicais em todas as esferas, ao longo dos anos. As próximas tecnologias a fazer isso serão a genética e a biotecnologia. Como que trabalham esses laboratórios e empresas das áreas? Elas fazem pesquisas em plantas. Atualmente, mais de 80% de todos os remédios do mundo tiveram os seus princípios ativos descobertos por meio de plantas. E onde estão elas? Na Amazônia. Enquanto isso, os laboratórios estão nos EUA e Europa. Ou seja, eles chegam aqui, colhem as plantas, fabricam os remédios e nós depois vamos comprá-los sem ganhar nada. Precisamos proteger a Amazônia e fazer com que a utilização de recursos dela seja remunerada. Quem fizer pesquisa aqui deve nos pagar muito bem. Um pesquisador importante disse que a Amazônia pode ser a Opep dos países da América do Sul justamente pela sua riqueza. Além de protegê-la nós deveríamos incentivar nosso setor de biotecnologia e genética.

Qual o papel da universidade nesse processo?

O estudo que citei sobre a gestão no Brasil mostrou também que a relação entre universidade e empresas é péssima. Isso é um problema sério. Na América Latina, o acadêmico que tem relações com empresas é considerado um mercenário. Por outro lado, nas companhias, a pessoa que tem relação com as universidades é taxado de forma preconceituosa de acadêmico. É outro problema cultural. Questões como esta precisam de um empurrão do governo, que deveria criar programas para fomentar a relação entre empresa e universidade. Ou seja, a companhia que emprega professores tem abatimento no Imposto de Renda. Por outro lado, a universidade que atua em parceria com empresas vai ser valorizada na hora da avaliação da Capes, que atualmente não leva em conta a atividade empresarial dos funcionários das universidades. Outro ponto importante é que devemos incentivar muito a formação de engenheiros no Brasil. O número de profissionais desse tipo formados no País atualmente é ridiculamente baixo, o que é uma das razões para sermos tão atrasados do ponto de vista tecnológico atualmente. Formamos 30 mil engenheiros por ano, enquanto a China forma 400 mil.

Que conselho de gestão o senhor daria para as empresas brasileiras se tornarem mais aptas a competirem no cenário internacional?

Acho que os nossos executivos precisam começar a olhar para os seus concorrentes de uma forma diferente. Enxergá-los também como eventualmente colaboradores e aliados, a fim de atingir sonhos que são muito difíceis de alguém conseguir sozinho. Atividades como exportação e investimento em pesquisa são áreas que duas empresas juntas eventualmente conseguem desbravar com mais facilidade. Nos EUA, as grandes companhias se unem frequentemente. Aqui isso é muito raro. Acho também que os executivos nacionais deveriam pleitear uma mudança nas leis brasileiras para que haja algum tipo de restrição para empresas internacionais atuarem no País. Creio que o Brasil seja a única nação do mundo que não tem restrição alguma quanto a isso, o que prejudica a competitividade dos nossos empresários com os estrangeiros.

As oportunidades no Brasil hoje são melhores do que na Europa. É o que diz a consultora checa Hana Mrkvickova, que há dez meses vive em São Paulo. ”O Brasil e os outros Brics (sigla para os emergentes Brasil, Rússia e China) estão crescendo muito. Mas gosto mais daqui pela cultura”.

Quando decidiu mudar-se para o País, Hana se inscreveu em um MBA da Fundação Instituto de Administração (FIA) com o objetivo de entrar no mercado de trabalho. ”É uma forma de aprimorar a língua, criar networking e conhecer oportunidades”, diz.

Um dos motivos para ter escolhido o Brasil foi a qualidade de vida. ”Aqui as pessoas também trabalham muito, mas valorizam mais o tempo fora do escritório do que na Europa”, lembra.

Apesar de o motivo principal de sua mudança ter sido a carreira, Hana não esconde sua paixão pela música brasileira. Ela é professora de dança há cinco anos e dá aulas nos fins de semana. Aprendeu samba e zouk ainda na República Checa, na academia de um brasileiro. ”Foi um dos motivos que me fizeram vir na primeira vez para o Brasil”.

Hana visitou duas vezes o Rio, mas optou pela capital paulista para morar porque acha uma cidade melhor para trabalhar. ”É preciso conhecer São Paulo para gostar. Adoro a dinâmica da cidade, a Avenida Paulista e os restaurantes dos Jardins”.

Arquivo: hana_imba

Prof. Paulo Feldmann destaca que empresariado brasileiro só consegue ver seu concorrente como inimigo e os dois perdem terreno no mercado internacional

Atualmente, o Brasil tem sido um país exportador de commodities. Mas não consegue ter o mesmo desempenho em outros tipos de mercados. De acordo com o Prof. Paulo Feldmann, da Faculdade de Economia e Administração da Universidade de São Paulo (USP), para que o País vire o jogo, é preciso que os micro e pequenos empresários tracem metas em conjunto. “Para competir fortemente no mercado internacional, precisamos de um modelo como o da Itália, que prevê a união entre os pequenos empresários”, diz ele.

Segundo o professor, com passagens como executivo por empresas como a Microsoft, Ernest & Young e Sabesp, o fato de o brasileiro não se unir com seus concorrentes é cultural. ”O empresário brasileiro enxerga seu concorrente como um inimigo a ser aniquilado”, discursa. Para Feldmann, autor do livro Empresas Latino Americanas: oportunidades e ameaças no mundo global (Atlas) é preciso também medidas do governo para valorizar o intercâmbio entre empresas e universidades, assim como a formação de novos empreendedores.

Como o senhor classificaria a competitividade do Brasil atualmente no mercado internacional?

A grande questão é que o Brasil às vezes é competitivo em um determinado momento porque existe uma conjuntura internacional que o favorece. Ou seja, nós tivemos um cenário internacional nos últimos anos que favoreceu muito a compra de commodities, e o País, que é um grande produtor desses bens, foi beneficiado. A China, especialmente, para o seu crescimento, precisou muito de commodities. Comprou minério de ferro, soja, produtos agrícolas, e viu o Brasil como um grande supridor seu desses produtos. Tanto é que de tudo que nós exportamos para a China nestes dez primeiros meses do ano, 97% foram commodities. Ou seja, 3% apenas de produtos industrializados. Isso não é bom para a economia brasileira. Então você pergunta: o Brasil é competitivo? É, mas não adianta apresentarmos uma competitividade desse tipo porque quando o preço das commodities cair, o que não vai demorar, teremos problemas. O preço das commodities é estabelecido em bolsas internacionais, oscila muito e, principalmente, sempre aparece um novo país produzindo aquela matéria prima e mexendo com o mercado. Veja o café, por exemplo. O Brasil é um grande produtor, mas atualmente ele não tem todo este mercado, porque há sempre uma nova nação asiática ou africana na concorrência.

O que significa então um país ser competitivo, mas de forma sustentável?

Significa o país produzir bens industrializados e, de preferência, com alto conteúdo tecnológico. Aí ele não é imitado facilmente. Este é o caso de Estados Unidos, Alemanha e Japão. Se formos ver a pauta de exportação dessas nações, veremos que eles exportam produtos industrializados e com alto conteúdo tecnológico. Inclusive a China. Se verificarmos o que os chineses vendem para o Brasil, concluiremos que 85% são produtos industrializados. Ela compra commodities e vende produtos industrializados. O que eu acho interessante nessa história toda é que ninguém critica essa questão, porque isso também é uma forma de colonialismo. Anos atrás, quando tínhamos esse tipo de relação com os Estados Unidos, falavam que eles eram os colonizadores e nós, a colônia. Não sei por que agora não falam isso da China. E esta situação não é boa para o Brasil, pois na hora que a China tiver uma crise, seremos afetados.

Claro que existem pessoas que criticam o que estou dizendo. Afirmam que não é assim, que não estamos exportando produtos industrializados porque o real está muito valorizado e com isso nós perdemos a competitividade da indústria. Mas não acredito que seja verdade. Realmente o real está valorizado, entretanto, mesmo com uma desvalorização da moeda, que talvez aconteça, nossa indústria deixou de ser competitiva há muito tempo e não vamos conseguir recuperar essa competitividade com muita facilidade. E, existe um problema sério hoje na economia mundial, que é o fato de que tanto as moedas dos Estados Unidos quanto a da China estarem bastante desvalorizadas. É interessante isso porque a China adota o mesmo modelo de imperialismo e colonização que os Estados Unidos adotaram. Acho que essa situação toda é bastante delicada e complicada para o Brasil e que o próximo governo terá de tomar uma atitude firme.

Quais devem ser os pontos fundamentais na agenda do novo governo para que o País consiga avançar no mix do comércio internacional?

O Brasil é um país com muita sorte por ser dotado de inúmeros recursos naturais. Temos um potencial enorme nesta área, mas, ela é muito delicada e perigosa. Assim, também temos de ser bons em outros setores que não sejam apenas as de commodities de baixa tecnologia. Em primeiro lugar, acho que hoje temos de adotar um modelo de desenvolvimento bastante diferente. Como disse, os países que se destacam são aqueles altamente produtores de tecnologia. Porém, quem produz esses bens? São as grandes empresas, e estudos mostram que a produção de tecnologia no mundo está fortemente centrada e baseada nelas. Se formos verificar, em países como os EUA, a produção de tecnologia é feita por algumas poucas grandes corporações. Bom, aí vamos ver quais são as nossas grandes empresas e descobrimos que nós não as temos. O melhor ranking das grandes empresas do mundo é o da revista Forbes que, na edição deste ano, mostrou a lista de 2009. Nela, entre as duas mil maiores do mundo, só havia 33 brasileiras, o que dá 1,6%. É muito pouco. As 33 nacionais, exceto a Embraer, que é a única de um setor de alta tecnologia, ou são do setor de serviços, ou bancos, ou produtoras de commodities. E há um agravante: este número vem caindo ano após ano.

Como voltar a crescer neste ranking?

Qual o outro modelo que existe? É um tipo bem diferente, que tem sido adotado por alguns países. A Itália é um exemplo disso. Ela também não tem grandes nomes na relação das duas mil maiores. Porém, a economia italiana é fortemente baseada na micro e pequena empresa, e o país é a quinta potência mundial. Outra nação onde a micro e pequena empresa é forte geradora de tecnologia é Israel, que é um dos países que mais geram tecnologia no mundo, fortemente baseado nessas companhias.

Creio que nós temos um potencial enorme no Brasil. De seis milhões de empresas oficiais, segundo o SEBRAE, 99% delas são micro e pequenas. Essas companhias são responsáveis por 53% dos empregos no Brasil, o que é um número importante. O que me chama a atenção, porém, é a participação no PIB, que é muito pequena. As micro e pequenas empresas respondem por cerca de 20% do PIB brasileiro. Na Itália, este número passa de 50%, e na Espanha, é 55%.

O caminho então é aumentar esse índice?

Sim. É isso que tem que mudar. A chave do crescimento brasileiro, na minha opinião, deveria ser o apoio e o fomento à micro e pequena empresa. Acho que já perdemos a corrida da grande empresa, nessa área não dá mais. Então, vamos centrar para um modelo baseado na micro e pequena empresa.

A presidente eleita Dilma Rousseff tem dito que só vai criar um único ministério novo, que será o da Micro e Pequena Empresa. Ótimo. Significa que ela vai dar prioridade para este assunto. Acho excelente e auspicioso, porque necessitamos de um modelo de desenvolvimento nesta linha, deveríamos conhecer o modelo italiano.

E como fazer para que consigamos atingir esta meta?

Ainda falta muita coisa. Por que a Itália consegue se destacar? Ela tem uma coisa muito simples que, por incrível que pareça, não conseguimos imitar aqui no Brasil. Já foi tentado e não deu certo. Trata-se da união entre empresas. A coisa mais comum na Itália são as micro empresas se unirem, criarem cooperativas destinadas a exportar. Elas geram associações para exportação, pesquisas, e outras coisas. Cada uma das micro empresas coloca um pouco de dinheiro para a associação fazer a pesquisa para ela. É o caso dos setores de moda, vestuário, calçado, azulejo. São áreas nas quais a Itália é campeã mundial, exatamente por causa deste modelo. Para a criação de marca, por exemplo, isso também funciona. A Benetton é formada por uma série de micro empresas, que se juntaram todas sob o mesmo guarda-chuva.

E por que no Brasil não se faz isso?

Por uma questão cultural. A América Latina é um continente difícil. Veja só quantos anos o mundo demorou para perceber o Brasil. Há 20 anos, um grupo de pesquisadores norte-americanos veio para cá a fim de estudar o modelo de gestão da AL, e lançaram um livro chamado Arando o mar. Uma das conclusões apresentadas na obra mostra que o empresário latino-americano não se une nunca com o seu concorrente, em hipótese alguma. Ele enxerga nele um inimigo que tem de ser aniquilado. Não admite se unir com ele para nada, a não ser fazer lobby junto ao governo. Trata-se de uma questão cultural dificílima de ser resolvida, mas tem que ser superada de alguma forma. Talvez com incentivos governamentais para a união de empresas ou criação de consórcios de companhias com apoio fiscal. Coisas desse tipo têm de ser feitas. As empresas brasileiras precisam se unir senão não vão conseguir entrar no mercado internacional, nem pesquisar e criar tecnologia. Temos muito espaço para crescer.

E quanto à capacitação do micro empresário?

O problema é que o modelo do Sebrae está defasado. O Brasil se baseou muito nele e não está atendendo ao que precisamos. Este tipo de abordagem, baseada na iniciativa do empresário bater na porta do Sebrae para fazer curso da sua área não funciona. Primeiro, porque o micro empresário nem sabe que existe o Sebrae. Segundo, não sabe onde ele fica.  Terceiro, não sabe como chegar lá. E quarto, não tem dinheiro para pagar o curso. Precisamos de uma mudança radical na nossa educação. O ensino médio brasileiro deveria ter cadeiras obrigatórias de gestão de empresas. Este tema é tão importante que deveria ser quase como o ensino de matemática e física. Deveriam haver muitas disciplinas para formar o futuro empreendedor. Mesmo com o fato de muitos brasileiros não cursarem o ensino médio, acho que melhoraria bem o atual panorama. Todos os setores precisam de gestão. Mas acho que o Sebrae deveria ser fortemente baseado em cursos gratuitos para apoiar a microempresa.

De que forma o senhor acha que a atual guerra cambial pode influenciar no desenvolvimento País nos próximos anos?

Os principais problemas atualmente caem na mesma vala: ninguém acata os entraves que acontecem no mundo. Está cada um preocupado apenas com os seus problemas. Por isso a reunião do G20 não chegou a lugar nenhum. Acho que a solução seria a criação de organismos internacionais aos quais os países estivessem dispostos a acatar. Teríamos que ter um Banco Central Mundial. Mas a criação de organismos mundiais é dificílima.

De que forma o Brasil pode aproveitar a Amazônia para desenvolver sua economia e gerar inovações e novas tecnologias?

Nós temos uma oportunidade enorme à nossa frente, que é a Amazônia. Grandes economistas, atualmente, apontam para o fato de que as mudanças tecnológicas são aquelas que norteiam e irão nortear a economia e a sociedade.  Eles mostram que tecnologias como informática, automóveis, eletricidade e outras foram as propulsoras de mudanças radicais em todas as esferas, ao longo dos anos. As próximas tecnologias a fazer isso serão a genética e a biotecnologia. Como que trabalham esses laboratórios e empresas das áreas? Elas fazem pesquisas em plantas. Atualmente, mais de 80% de todos os remédios do mundo tiveram os seus princípios ativos descobertos por meio de plantas. E onde estão elas? Na Amazônia. Enquanto isso, os laboratórios estão nos EUA e Europa. Ou seja, eles chegam aqui, colhem as plantas, fabricam os remédios e nós depois vamos comprá-los sem ganhar nada. Precisamos proteger a Amazônia e fazer com que a utilização de recursos dela seja remunerada. Quem fizer pesquisa aqui deve nos pagar muito bem. Um pesquisador importante disse que a Amazônia pode ser a Opep dos países da América do Sul justamente pela sua riqueza. Além de protegê-la nós deveríamos incentivar nosso setor de biotecnologia e genética.

Qual o papel da universidade nesse processo?

O estudo que citei sobre a gestão no Brasil mostrou também que a relação entre universidade e empresas é péssima. Isso é um problema sério. Na América Latina, o acadêmico que tem relações com empresas é considerado um mercenário. Por outro lado, nas companhias, a pessoa que tem relação com as universidades é taxado de forma preconceituosa de acadêmico. É outro problema cultural. Questões como esta precisam de um empurrão do governo, que deveria criar programas para fomentar a relação entre empresa e universidade. Ou seja, a companhia que emprega professores tem abatimento no Imposto de Renda. Por outro lado, a universidade que atua em parceria com empresas vai ser valorizada na hora da avaliação da Capes, que atualmente não leva em conta a atividade empresarial dos funcionários das universidades. Outro ponto importante é que devemos incentivar muito a formação de engenheiros no Brasil. O número de profissionais desse tipo formados no País atualmente é ridiculamente baixo, o que é uma das razões para sermos tão atrasados do ponto de vista tecnológico atualmente. Formamos 30 mil engenheiros por ano, enquanto a China forma 400 mil.

Que conselho de gestão o senhor daria para as empresas brasileiras se tornarem mais aptas a competirem no cenário internacional?

Acho que os nossos executivos precisam começar a olhar para os seus concorrentes de uma forma diferente. Enxergá-los também como eventualmente colaboradores e aliados, a fim de atingir sonhos que são muito difíceis de alguém conseguir sozinho. Atividades como exportação e investimento em pesquisa são áreas que duas empresas juntas eventualmente conseguem desbravar com mais facilidade. Nos EUA, as grandes companhias se unem frequentemente. Aqui isso é muito raro. Acho também que os executivos nacionais deveriam pleitear uma mudança nas leis brasileiras para que haja algum tipo de restrição para empresas internacionais atuarem no País. Creio que o Brasil seja a única nação do mundo que não tem restrição alguma quanto a isso, o que prejudica a competitividade dos nossos empresários com os estrangeiros.